quarta-feira, 15 de junho de 2011

Gente Linda!..........

Hoje ficamos a tarde no MAC, onde tivemos uma fala com a queridíssima "Gente Linda"!
Discutimos sobre a importância de nos apronfundar ou não em conhecermos melhor o público que nos visita e fiquei pensando até onde isso é pertinente.
Acredito que o propósito de irmos visitar os diversos espaços e instituições é mais para insitar um interesse para que posteriormente este público possa nos visitar durante as exposições e não estudá-los profundamente, mas sim o processo inverso.
Este período de formação para mim tem sido ótimo e muito rico mesmo sendo diferente pois antes nós visitávamos as instituições em busca de informações sobre o educativo.
Pensei que seria importante visitarmos algum lugar que tenha alunos deficientes também e até comentei isso. Lembrei da AVAPE.
Mas observo que a pouco interesse em lidar com esse público.
Da minha parte gostaria muito de fazer um trabalho mais específico, especialmente para os surdos.
Ano que vem quando terminar o Bach.em Artes Plásticas quero aprender mais palavras em LIBRAS.
Na exposição passada foi incrível porque atendi bastante públicos surdos e eles me ensiram mais palavras o que ajudou a enriquecer meu vocabulário, mas ainda há um longo caminho pela frente...
Esses dias ando meio nostálgica, sinto muita saudades do pessoal que eu trabalhava de manhã. Mas a vida é assim mesmo, as pessoas tem que seguir seu caminho...

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Ao nascer somos pinho-de-riga puro. Mas logo começam as demãos de tinta. Cada um pinta sobre nós a cor de sua preferência. Todos são pintores: pais, avós, professores, padres, pastores. Até que o nosso corpo desaparece. Claro, não é com tinta e pincel que eles nos pintam. O pincel é a fala. A tinta são as palavras. Falam, as palavras grudam no corpo, entram na carne. Ao final o nosso corpo está coberto de tatuagens da cabeça aos pés. Educados. Quem somos? “O intervalo entre o nosso desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de nós“, responde Álvaro de Campos.
Contra isso lutava Alberto Caeiro:

Procuro despir-me do que aprendi.
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras.
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
mas um animal humano que a natureza produziu.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
isso exige um estudo profundo,
uma aprendizagem de desaprender...

Barthes se descobriu atacado pela mesma doença que afligira Caeiro. Através dos anos seu corpo foi coberto por saberes que se sedimentaram sobre sua pele. Agora ele estava enterrado, esquecido de si mesmo. Só havia um caminho: desaprender tudo. “Empreendo, pois“, ele diz, “deixar-me levar pela força de toda forca viva: o esquecimento“. Esquecer é raspar a tinta. A fim de se lembrar do esquecido. E o que ele viu, depois de terminada a raspagem, encantou-o: lá estava a sua alma, o jeito original de saber — “sabedoria“. Diz o Tao Te Ching que os saberes podem ser somados (como as camadas de tinta). Mas sabedoria só se obtém por subtração, por raspagem e esquecimento.

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